quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Entrevista Rádio Universitária UFC

Olá a todos! Mais uma vez um feliz 2017 para todos que acompanham meu blog! Começando o ano com novos projetos, primeiramente segue a entrevista que concedi a rádio universitária da UFC. Para ouvir basta clicar no botão play laranja aí embaixo.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

FELIZ 2017, VEM NOVIDADE AÍ NO BLOG?

Eu gostaria de agradecer do fundo do meu coração a todos os leitores do blog, que acompanham meu trabalho e desejar que 2017 seja um ano enriquecedor e que possamos superar os desafios e as adversidades. Entretanto, gostaria de aproveitar o momento para deixar algumas considerações. Primeiro é reforçar a ideia desse espaço. Criei esse blog para falar sobre psicologia, comportamento e assuntos afins para pessoas leigas no assunto, usando uma linguagem acessível e buscando descomplicar, embora sempre amparado em dados científicos. 

Gostaria de poder manter uma frequência de postagem dos artigos, mas não só o trabalho como minhas obrigações diárias acabam se tornando um desafio para que eu mantenha uma rotina dessas postagens. Em alguns momentos eu consegui manter essa rotina, em outros não. Quando vou escrever sobre algo gosto de acrescentar informações pertinentes, então leva algum tempo para preparar o texto. Mesmo que possa demorar algum tempo, estarei sempre lançando matérias novas aqui, e sempre procurando essa periodicidade.

Estou planejando algumas coisas novas, estou com uma ideia interessante que ainda não saiu do papel pelo mesmo motivo da demora das minhas postagens: tempo. Quero criar algo para aumentar minha interatividade com vocês e estou estudando algumas possibilidades e vendo qual a melhor forma de operacionalizar. Quem sabe em 2017 essa novidade não saia do papel?

De qualquer modo, mais uma vez agradeço a visita e o apoio que vocês vem me dando ao acessar meu blog, e espero que 2017 nos traga muitas conquistas!


Até breve

Leonardo Martins

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O QUE É O TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE?

Hoje falaremos de um transtorno que ocorre em uma certa parcela da população e que muitas pessoas nem sabem que tem, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).

De acordo com o DSM V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5a Ed), o TPB é: 

"Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem, e dos afetos e de impulsividade acentuada que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos..."


Traduzindo, a pessoa com TPB seria alguém com dificuldade em estabelecer relações interpessoais por conta de uma comportamento que vai mudar muito de acordo com a situação. Essa instabilidade se estende a como a pessoa se percebe, assim como seus próprios sentimentos e a pessoa também faz muitas coisas sem pensar. Parece estranha essa definição, mas vou tentar explicar mais do comportamento da pessoa com TPB.

Esse tipo de paciente possui uma carência afetiva inesgotável, sempre demandando muita atenção de todos ao redor; quando essa atenção é correspondi
da a pessoa se sente ótima, realizada, mas quando se sente rejeitada a frustração assume grandes proporções, fazendo com que a pessoa tenha reações muitas vezes desproporcionais e agressivas. Isso se dá por essa instabilidade em relação as emoções e os afetos, citada no começo do artigo. Existe um medo imenso do abandono, seja real ou imaginário (grande parte das vezes é imaginário, e faz com que a pessoa tenha reações negativas frente a situações comuns).

Outra característica é que o paciente com TPB sente um vazio existencial tremendo, aliado a necessidade de atenção gera relações (namoros, casamentos e outras). Os relacionamentos com as pessoas são sempre complicados devido a essa demanda de atenção. Isso leva a pessoa com TPB a manipular as pessoas ao redor para obter o que deseja, na maioria das vezes sem perceber o próprio comportamento manipulativo. Quando confrontado com a verdade, tende a se vitimizar, negar ou criar justificativas vazias como forma de se proteger. 

Se estima que cerca de 6% da população seja portadora desse transtorno, grande parte não diagnosticada. Geralmente é um transtorno que se desenvolve no início da vida adulta, mas pode ocorrer na adolescência, é cinco vezes mais comum em pessoas com parentes próximos com algum tipo de transtorno e cerca de 75% dos pacientes diagnosticados com TPB são mulheres. 

É DIFÍCIL DIAGNOSTICAR ESSE TRANSTORNO?

Depende. É preciso que o profissional conheça bem os critérios diagnósticos e tenha experiência em atendimento clínico. Isso ocorre por ser um transtorno de personalidade, onde o paciente mantém um comportamento manipulativo, por isso nem sempre a primeira vista é possível perceber. Geralmente se percebem outros problemas, outros transtornos ou comorbidade, como chamamos em psiquiatria. Então, por exemplo, é mais fácil perceber uma depressão, ou um transtorno de ansiedade, quando na realidade é um paciente com TPB com depressão ou com transtorno de ansiedade. Sim, é bem comum essa "mistura" de diagnósticos. 


O paciente chega no consultório com a queixa de depressão, ansiedade ou qualquer outra coisa, ele simplesmente não consegue perceber que existe algo mais, algo além em seu comportamento que é estranho. Com um olhar apurado, um bom profissional pode perceber o padrão e os comportamentos que se encaixam nos critérios para TPB.


OUTRAS CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES.

Além do mencionado, outros pontos importante precisam ser destacados. Um deles são as tentativas de suicídio. Cerca de 13% das tentativas de suicídio são feitas pessoas com algum transtorno de personalidade, dentro deles o TPB. 

Alguns pacientes também tem um comportamento de automutilação, que não necessariamente é uma tentativa de suicídio. Na maioria das vezes é uma forma de suportar a dor emocional que sentem, usando a dor física como uma "distração" para esse sentimento negativo tão avassalador. 

Outro ponto importante é que muitos pacientes com TPB não consegue dar seguimento as suas carreiras acadêmicas, ao trabalho, mais por uma questão de autosabotagem e do padrão instável de relacionamento com os outros. A instabilidade emocional gera muitas brigas, explosões de raiva, e até mesmo agressões físicas. 

Muitos pacientes com TPB tem um padrão de impulsividade relacionado a sexo, ou seja, são compulsivos por sexo, por compras, abuso de drogas ou compulsão alimentar. Esses pacientes não conseguem lidar com a impulsividade e acabam prejudicando-se muito por não saber lidar com isso. Daí outro fator que pode mascarar o Transtorno de Personalidade Borderline, quando as pessoas só conseguem perceber as compulsões por ser algo mais evidente e podem, equivocadamente, acreditarem que o problema daquele indivíduo seja a dependência química/sexo/gastos compulsivos.

QUAL É O TRATAMENTO E O PROGNÓSTICO?

Diante do que foi relatado acima fica fácil entender porque esse quadro é tão complicado e tão difícil de interpretar. Então qual é o tratamento? Infelizmente não existe uma medicação para nenhum transtorno de personalidade, tratamos os sintomas com a medicação. Então se o paciente relata muita tristeza utilizamos antidepressivos, se o comportamento impulsivo é muito intenso administramos uma medicação que atenua essa impulsividade e assim seguimos. Ao mesmo tempo é importante um acompanhamento com o psicólogo para a realização de psicoterapia, pois esse procedimento que vai ajudar o paciente a compreender e lidar de forma mais positiva com seus sintomas. 


Pacientes não tratados tem uma tendência muita grande a autodestruição, não somente da vida pessoal, laboral, mas da vida em si, com grande possibilidade de concretizar o suicídio ou se envolver em situações de risco devido ao comportamento impulsivo. Assim, quanto mais cedo e mais bem feito o diagnóstico e o tratamento, melhor.

Tentei sintetizar aqui o máximo de informação possível acerca desse transtorno. Evitem o autodiagnóstico, procurem um profissional. Qualquer dúvida entrem em contato. Até!


Referências:

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. DSM-5: manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/entenda-como-lidar-com-uma-pessoa-que-tem-o-transtorno-borderline/

http://www.psiconlinews.com/2015/03/transtorno-de-personalidade-borderline.html











quarta-feira, 21 de setembro de 2016

ENTREVISTA- PRECISAMOS FALAR SOBRE O SETEMBRO AMARELO

Olá a todos que acompanham o blog. Hoje trago a vocês uma entrevista que dei para o Canal do Youtube Log Aqui. A entrevista foi para esclarecer sobre o setembro amarelo e temas relacionado ao suicídio de jovens. Espero que gostem. (Aos 9:50 do vídeo deu um probleminha com o equipamento deles e o vídeo ficou escuro e com som baixo, mas a maior parte do vídeo está ok)


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SUICÍDIO- O QUE FAZER PARA PREVENIR?

Setembro é o mês em que intensifica a conscientização da sociedade para a prevenção do suicídio, problema que hoje cada vez mais está presente em nossa sociedade e é velado, de modo que a grande maioria das pessoa não está a par dessa triste realidade.


O suicídio é hoje um grande problema de saúde pública, os dados epidemiológicos que temos demonstram isso, e esses mesmos dados estão a mostrar apenas uma pequena realidade do número de mortes por suicídio, uma vez que o tabu, a falta de preparo e outros obstáculos impedem o registro adequado das mortes por suicídio, não apenas no Ceará, mas no Brasil como um todo.


Como podemos então, agir de modo que esse número alarmante de mortes diminua? A resposta está na prevenção, mas para prevenir é preciso não apenas conhecer o fenômeno e como ele se manifesta, mas também a intervenção de políticas públicas efetivas. Então vamos falar um pouco acerca da prevenção.

Segunda a Organização Mundial da Sáúde (OMS), 


  • 800.000 pessoas suicidam-se por ano;
  • Cerca de 3.000 pessoas por dia;
  • Uma morte a cada 40 segundos;
  • Para cada pessoa que se suicida, 20 ou mais tentam se matar.
No Brasil os números são alarmantes. 

O QUE LEVA UMA PESSOA A TENTAR SUICÍDIO?

Sabemos por estudos estatísticos que cerca 90% das pessoas com ideação suicida ou que tentaram suicídio tem algum tipo de transtorno mental, diagnosticado ou não. 




Fora isso temos os fatores de risco para o suicídio, que são critérios que potencializam o surgimento da ideação suicida e da tentativa em si. Dentre esses fatores elencamos aqui os mais comuns:


  • Tentativa de suicídio ou auto-mutilação anterior;
  • Comorbidades (mais de um transtorno associado) ou tratamento psiquiátrico anterior;
  • Desemprego;
  • Stress social;
  • Abandono;
  • Álcool e abuso de drogas;
  • Dor  física  ou dor crônica;
  • Trauma, tal como abuso físico e sexual; 
  • Doença física incapacitante ou doloroso, incluindo dor crônica(citamos o HIV e câncer como exemplos);
  • Certas profissões profissões com os meios / conhecimento se matar (veterinários, médicos, dentistas, farmacêuticos, agricultores, etc. Por incrível que possa parecer os médicos encabeçam uma das profissões em que mais se comete suicídio)
  • Pouco apoio social / viver sozinho;
  • Eventos significativos da vida - luto (perdas de entes próximos), desagregação familiar;
  • Bullying (às vezes um fator em crianças e adolescentes em mídia social).
Percebemos com essas informações que a vontade de morrer é uma consequência de fatores que leva o indivíduo a um sofrimento tremendo, tendo ele desesperança, desamparo e desespero, sendo o suicídio o alívio mais rápido para essa situação. Entretanto, quando os fatores de risco são detectados e tratados, a vontade de morrer vai sumindo, e o individuo começa a dar um novo sentido a sua vida. Embora nem sempre esse processo seja fácil/ rápido (nunca é), existe sim um tratamento e um caminho para a vida.


COMO PREVENIR O SUICÍDIO?

Existem diversas medidas de prevenção de acordo com contextos específicos, então o que farei aqui é um apanhado geral acerca da prevenção do suicídio. Primeiramente, sabemos que a maioria dos pacientes que tentaram suicídio comunicaram antes, de alguma forma suas intenções, ou deram sinais que foram ignorados por familiares e pessoas próximas. Desta forma, nunca ignore um relato de alguém que fala ou pensa em se matar. Esqueçam essa estória de "cão que ladra não morde". Se a pessoa fala em morrer é devido a um sofrimento intenso, e caso ela não receba amparo ela pode sim vir a cometer o ato.

Isolamento, alteração do comportamento (comportamentos estranhos), alteração do humor, são alguns. Sabemos que 90% das pessoas com ideação suicida ou que tenta suicídio tem algum transtorno, então é importante que essa pessoa seja encaminhada ao Psiquiatra ou Psicólogo (em alguns casos, é necessário o acompanhamento de ambos). 

Restringir meios letais também entra na prevenção, quanto menos acesso pessoas com ideação suicida tiverem a armas, objetos cortantes/perfurantes, venenos e substâncias químicas, mais protegida estará. Além disso, uma pessoa com forte ideação suicida e/ou tentativa prévia de suicídio, não deve ficar sozinha. 

É importante desconstruirmos o tabu acerca do suicídio, as pessoas não devem ter medo ou vergonha de pedir ajuda e por outro lado, a família deve estar atenta com seus filhos, maridos, esposas, porque o suicídio é uma realidade que pode afetar qualquer um, independente de qualquer coisa. É um problema de saúde, pode ser tratado, não é um desvio moral ou religioso. Busque ajuda.


#espalheamarelo #espalhevida #prevençãoaosuicídio



Referências:

Gassmann-Mayer, C. Jiang, K., McSorley, P., Arani, P. et al (2011). Clinical and Statistical assessment of suicidal ideation and behavior in pharmaceutical trials. Clinical Pharmacology & Therapeuticss, 90, 483-485.


Kelly Piacheski de Abreu, Maria Alice Dias da Silva Lima, Eglê Kohlrausch, Joannie Fachinelli Soares. Comportamento suicida: fatores de risco e intervenções preventivas. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2010;12(1):195-200. Disponível em: <https://www.fen.ufg.br/fen_revista/v12/n1/pdf/v12n1a24.pdf> Acesso em: 24 de Agosto de 2016.

Inside Japan Suicide Forest. Disponível em: < http://www.japantimes.co.jp/life/2011/06/26/general/inside-japans-suicide-forest/#.V9CBpSlrjIU> Acesso em: 01 de Agosto de 2016.

Prevenção ao suicídio: manual dirigido aos profissionais de saúde mental. Ministério da Saúde. Brasil, 2006.

FAÇANHA, Jorge Daniel Neto. ERSE, Maria Pedro Queiroz de Azevedo. SIMÕES, Rosa Maria Pereira . AMÉLIA, Lúcia . SANTOS, José Carlos. Prevenção do suicídio em adolescentes: programa de intervenção believe. SMAD, Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. (Ed. port.) v.6 n.1 Ribeirão Preto  2010.

CARNEIRO, Anna Bárbara de Freitas . Suicídio, religião e cultura: reflexões a partir da obra “Sunset Limited”. Reverso vol.35 no.65 Belo Horizonte jul. 2013. Disponível em: 
< http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952013000100002 >. Acesso em: 02 de Agosto de 2016.

WORDEN, j. W. . Terapia do luto: um manual para o profissional de saúde mental. Porto Alegre: Artes Médicas(1998).

KÜBLER-ROSS, E. . Sobre a morte e o morrer: o que os doentes terminais tem para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e as seus próprios parentes. São Paulo: Martins Fontes, (1998). 

BOWLBY, J. Apego e perda:perda: tristeza e depressão. São Paulo: Martins Fontes. 1985

MARTINS, S. A. R & LEÃO, M. F. Análise dos Fatores Envolvidos no Processo de Luto das Famílias nos Casos de Suicídio. Revista Mineira de Ciências da Saúde. Patos de Minas: UNIPAM, 2, 123-135.

OSMARIM, Vanessa Maria. Suicídio: O luto dos sobreviventes. 2015. Disponível em: <www.psicologia.pt/artigos/textos/A0981.pdf> Acessado em 10 de Agosto de 2016.

Suicídio: pesquisadores comentam relatório da OMS, que apontou altos índices no mundo. Fonte: Informe ENSP. Disponível em: <http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/suicidio-brasil-e-8o-pais-das-americas-com-maior-indice>. Acesso em 12 de agosto de 2016.







quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ENTREVISTA: Suicídio na adolescência: "É necessário dialogar com o filho", afirma psicólogo

Segue um trecho da entrevista que dei para o Jornal O Povo acerca do suicídio na adolescência.

O suicídio cresce entre os jovens em todo o mundo. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ele é a segunda maior causa de mortes em pessoas entre 15 e 29 anos, antecede acidentes de trânsito, seguido do HIV e violência. Ainda que complexo, ele pode e deve ser prevenido. É o que explica ao O POVO Online o psicólogo Leonardo Martins .

Leonardo aponta que o aumento alarmante do comportamento entre adolescentes, além de doenças psicológicas, pode ser atribuído a diminuição dos contatos sociais, e com mais intensidade a desestruturação dos núcleos familiares.
O profissional enfatiza a importância do diálogo como forma de prevenção. “Os pais podem perceber algo através do diálogo, não só através do comportamento. Embora a adolescência seja um período conturbado, algumas vezes é parte da fase, mas outras não. Para diferenciar, é necessário dialogar com o filho, saber como ele está na escola, o que se passa”.
Ele alerta sobre a força que o bullying tem no Brasil, orientando os pais a serem participativos e acessíveis, já que muitos jovens pensam que não tem a quem recorrer, e o ensino público e privado, muitas vezes, não estão preparados para lidar com a situação.
Abordando a temática na infância, o profissional diz que é possível que uma criança pense em atentar contra a vida, mas que depende da idade, já que ela pode não ter noção exata da morte. “Algumas crianças podem achar que podem morrer e voltar, achar que a morte é abstrata. Vai depender do contexto cultural em que está inserido”.
Leonardo descreve as três fases do comportamento suicida: "a ideação, o planejamento e a execução". Desde o primeiro momento, é importante que a pessoa ou familiar procure ajuda. Ele aponta que a liberdade na internet, com diversos grupos de pessoas com esse perfil, ou até mesmo ideias de como passar para a terceira fase, de execução, é perigoso para quem se encontra em um momento de fragilidade.
Matéria completa em:
http://mobile.opovo.com.br/noticias/brasil/2016/09/setembro-amarelo-nao-e-papo-de-adolescente-e-papo-de-familia.html

terça-feira, 6 de setembro de 2016

QUAL A DIFERENÇA DE CONVERSAR COM UM PSICÓLOGO E COM UM AMIGO?

Muitas pessoas se perguntam como um psicólogo pode ajudá-las apenas "conversando", e isto é, inclusive, um questionamento que alguns pacientes me fizeram na primeira consulta. Então resolvi escrever um pouco acerca disso para clarear mais esse tema.



Conversar com um amigo é muito bom e saudável, ajuda a manter relações sociais, faz você sentir que pode confiar em alguém, auxilia a dividir o fardo dos problemas que você carrega. Mas estou falando de um amigo verdadeiro, aquele que aceita você, que fala sobre o que não concorda em suas atitudes, que te dá o ombro quando você precisa. Mas o amigo vai te dar a opinião dele, o amigo nem sempre vai concordar com você, o amigo pode (e geralmente vai) te julgar moralmente, por mais que seja uma amizade longa e estabelecida. Não que tais atos sejam ruins, tente pensar além dessa dualidade de bem e mau, mas é uma questão de atitudes humanas.


QUAL O DIFERENCIAL DO DIÁLOGO COM UM PSICÓLOGO?

Como eu disse anteriormente muitos acreditam que o psicólogo é um profissional que apenas "joga conversa fora" com o paciente. Isso é uma percepção completamente equivocada a respeito do trabalho do psicólogo. Primeiro porque o curso de Psicologia não é fácil, são pelo menos cinco anos para se formar, fora os cursos de aperfeiçoamento e extensão. O psicólogo estuda antropologia, filosofia, sociologia para entender as relações humanas, estuda desenvolvimento, psicologia infantil para entender os processos de aprendizagem, estuda neuroanatomia e neurofisiologia para entender como o cérebro funciona e como controla os processos fisiológicos, estuda diversas teorias psicológicas e psicopatologias para entender os desvios comportamentais e tratá-los. 

Além de todo esse estudo, o psicólogo, assim como todo profissional de saúde, tem que estar estudando constantemente para acompanhar os avanços da ciência e ampliar seu conhecimento. Geralmente os psicólogos fazem cursos de formação onde se aprofundam numa teoria específica, fora a pós-graduação que agrega novos conhecimentos e mestrados e doutorados. O bom psicólogo é um eterno estudante. 

Durante o atendimento o psicólogo aprende a fazer as perguntas certas, de modo a explorar o problema do paciente da melhor forma possível, de modo que ao mesmo tempo que está fazendo perguntas está pensando nas estratégias para tratar a situação, e está elaborando novas perguntas, tudo ao mesmo tempo! O psicólogo tem que pensar rápido e várias coisas ao mesmo tempo. Não existe uma receita de bolo, então as estratégias geralmente são criadas a partir do problema e da individualidade de cada paciente, apesar de existirem algumas que sejam comuns mas devem ser sempre adaptadas a cada situação. Logo o bom psicólogo é criativo e um excelente estrategista.

Ouvir relatos dos pacientes, a famosa "conversa" que os leigos chamam, não é uma tarefa simples. imagine você passar o dia inteiro escutando horas de diálogo, de sofrimento e dor, estórias pesadas, tristes, cheias de angústia. Ouvir isso durante o dia todo faz com que ao final do dia nosso corpo e nossa mente estejam fadigados. O psicólogo se treina para suportar esses conteúdos negativos, ele mesmo deve fazer terapia para não misturar seus problemas com os do paciente e aprender a lidar com esses conteúdos negativos. Logo, o psicólogo se torna o depósito de todo conteúdo negativo do paciente e deve saber lidar com isso para não carregar isso para casa e deixar que isso afete sua vida. 

Então meus amigos, podemos ver que não é fácil ser psicólogo. É, em nosso país uma profissão ainda cheia de estigmas, pois ainda existe no senso comum a ideia de que só quem vai para o psicólogo é "doido", quando na verdade o psicólogo pode atender pessoas com e sem transtornos mentais. A Psicologia tem uma importância enorme, porque ninguém está a salvo de passar por uma situação difícil, de desenvolver um problema psicológico ou um transtorno sério. Nem o próprio psicólogo. E ainda assim é uma profissão pouco valorizada. Entretanto o maior valor, pelo menos para mim é o bem estar dos meus pacientes, quando eles melhoram ou resolvem a situação que os levaram para o consultório e dizem o quanto fui importante para eles, para ajudá-los e compreendê-los.