segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Algumas Considerações Sobre Esse Blog

Olá e obrigado por acessarem o meu blog. Ultimamente não venho tendo uma regularidade nas matérias que escrevo, na verdade há algum tempo que não atualizo meus escritos aqui devido a minha carga de trabalho. Como psicólogo atendo muitas pessoas e realizo outras atividades o que me deixa com pouco tempo e muitas vezes cansado. Gosto de atualizar esse espaço para sempre trazer assuntos novos e relevantes, mas gosto de fazê-lo com zelo e responsabilidade. Portanto, muitas vezes preciso ler mais sobre o assunto, pesquisar novidades, ir em busca de artigos ou estudos recentes para trazer a você leitor algo mais elaborado e ao mesmo tempo de fácil leitura. Meu intuito é escrever artigos novos quinzenalmente a partir do próximo ano, e tentarei me esforçar ao máximo para conseguir este feito. Agradeço a todos os que acompanham meu trabalho, as dúvidas, sugestões e contatos que recebo por e-mail. 

Um grande abraço a todos.


Leonardo Martins

As Consequências de Beijar o Filho na Boca


Artigo escrito  por Rachel Canteli:


Uma das primeiras conseqüências de beijar os filhos na boca, já nos primeiros dias de vida, é a transmissão de bactérias as quais os bebês ainda não possuem defesas. Segundo o presidente da Associação Odonto-criança, Daniel Korytnicki, que concorda com a citação do infectologista Milton Lapchik, além da cárie, “o estalinho pode transmitir algumas doenças, como herpes simples, micoses e outras infecções causadas por vírus”, as quais muitas vezes ficam imperceptíveis na pele, mas que geram indisposição física, sendo necessária a intervenção medicamentosa.

A pedagoga Jane R. Barreto, ressalta que a criança imita os adultos, tanto os familiares, como os vistos em programas televisivos e filmes. Porém a representação desses papéis adultos, não significa que a criança esteja pronta para a compreensão global do que certas atitudes que imitam, representam, pois permanecem na inocência característica da infância. Nesta situação, dramatizar o que viu, cantar e dançar músicas com cunho erótico para o adulto não possui a mesma conotação para as crianças, mas as expõe. A criança, por se estruturar através da fantasia mediada pela realidade, vive no faz de conta a concepção de um amor dentro do conhecimento que possui do amor de seus pais: príncipes e princesas que desejaram estar juntos e serão felizes para sempre. Mesmo famílias que possuem desentendimentos constantes em frente a criança, pelo infante não conhecer outra realidade, acaba por considerar que esta forma de relacionamento é a normal. A autora ainda ressalta que “Adultos não devem beijar crianças na boca, se alimentar na mesma colher, assoprar a comida, ou ainda recolher a chupeta, quando a mesma cair no chão, levando-a à boca, para “tirar as bactérias”, e depois colocar na boca da criança, evitando assim a transmissão de Hpilori, carie, herpes, sapinhos, entre outros… eles ainda estão criando imunidade, não tem a defesa orgânica que os adultos têm. Além da questão saúde, devem permanecer atento ao comportamento, pois se os infantes julgarem que esse costume familiar é natural, repetirão com todos adultos que tiverem contato. Neste sentido o diálogo com seus filhos se torna fundamental, esclarecendo que essa atitude só deverá ocorrer no seio familiar, pois, com a ingenuidade natural da criança, pode acontecer dela entender que, uma vez que seus pais a beijam na boca, pode repetir o gesto com outros de seu vínculo.”.

Giselle Castro Fernandes também ressalta que criança não beija na boca e não namora. Criança tem amiguinhos mais chegados ou não. Nas escolas, presenciam-se alguns coleguinhas andar de mãos dadas dizendo-se namoradinhos, ou como relatou uma mãe de uma criança de 3 anos: “Minha filha está preocupada com quem vai se casar, pois um amiguinho casará com uma de suas amigas, o outro com outra e assim consecutivamente.”. Situações como essas, além de gerar ciúmes, provocam também uma preocupação inadequada para a idade, privam a criança da infância, sem nenhuma razão! O trabalho dentro do espaço escolar de esclarecer a educadores e pais sobre este aspecto é fundamental.

Para os pais, o namoro infantil pode ser interpretado como uma brincadeira, mas é preciso que se alerte quanto às consequências disso. Uma criança de dois ou três aninhos, acostumada a dar o “selinho” em seus pais, a tomar banho junto com o sexo oposto adulto ou a dormir na cama do casal, dependendo de como o adulto brinca ou sente essa situação, poderá desenvolver a erotização precoce de algumas áreas de seu corpo e este fator pode novamente privá-la da inocência da infância. Assim, casos esses comportamentos sejam rotinas dentro da família, precisam ser conversados e orientados dentro do entendimento de cada fase, lembrando sempre que a criança possui uma compreensão relacionada ao corpo bem diferente do adulto. Valdeci Rodrigues questiona: “Numa época em que a pedofilia precisa ter um amplo combate, como ficam a cabeça desses garotos e garotas que escutam na própria escola que para fugir do baixo astral é melhor “beijar na boca”?”. Essa reflexão é primordial para a educação infantil para pais e educadores.

Giselle Castro Fernandes continua sua reflexão alertando que “Na família existe o papel do pai e da mãe – que, juntos, formam um casal que dorme junto, que beija na boca! O papel dos filhos é outro. São crianças, e criança não beija na boca, não dorme na cama dos pais, etc. Trata-se de demarcar esses limites de maneira bem clara. Do contrário, fica difícil definir o papel do adulto e da criança. Para ela, criança, dar o “selinho” é o mesmo que namorar.”. Enfatiza ainda que “Filhinho (a) não é namorado e, portanto, não beija igual. Beija no rosto, abraça, acaricia, mas nada que se confunda com o carinho ou com o amor do adulto, do casal. Há uma preocupação muito grande (e justa) dos pais, de se atualizarem, de não se distanciarem de seus filhos, mas isso pode e deve ser feito, sem que se abra mão de seu papel, o papel de pai e de mãe, aqueles que representam o porto seguro aos filhos, aqueles que são “adultos”, que orientam, seguram a barra e que deixam muito bem definida a posição de criança e de adulto na família. Pode se ter a certeza de que os filhos, no futuro, agradecerão muito a seus pais que não abriram mão do papel com a função paterna – no sentido literal de força, de limite e da função materna – de cuidado, proteção. Amor entre adultos é diferente do amor pelas crianças, pelos filhos. Portanto, o beijo é também diferente e nem por isso menos carinhoso!”. Se incentivarmos a infância de nossos pequenos, eles irão amadurecer no tempo certo, não precisamos acelerar nada. Dentro desta linha de pensamento, a conseqüência de beijar o filho na boca propicia uma confusão de papéis, sendo esta desnecessária ao aprendizado infantil.

Como a concepção do adulto o beijar na boca esta relacionado a sexualidade, vale ressaltar as colocações de Lulie Macedo que cita que “Desde que o mundo é mundo, as crianças não brincam de médico à toa: a aventura do descobrimento começa já nos primeiros meses, quando o bebê experimenta o prazer de explorar o próprio corpo, e se acentua nos anos seguintes, quando sua atenção se volta para o corpo dos pais e de outras crianças.”. Esse descobrimento corporal é natural do ser humano e deve ser compreendido dentro desta lógica. Assim, tocar no próprio corpo faz parte da tarefa de entender o mundo e a autora acima complementa que “o prazer em manipular os órgãos sexuais é uma das primeiras descobertas.”. “Ela não sabe o que é certo ou errado, quais são os códigos sociais, a diferença entre o público e o privado. Cabe aos pais e educadores ensinar que ali não é lugar para isso.”, afirma Maria Cecília. Desta forma a criança entenderá o sentido de privacidade e respeito ao próprio corpo, bem como ao corpo das demais pessoas.

Essa autora também cita que “O problema não está na exploração sexual do próprio corpo ou nas brincadeiras entre crianças da mesma idade. Prejudicial é a repressão do adulto a essas atitudes, quando ele grita, proíbe, bate ou põe de castigo. Fazendo isso ele transmite a noção de que aquilo é errado, quando na verdade essas atitudes são tão naturais quanto aprender a andar, falar, brincar”, afirma Maria Cecília Pereira da Silva, psicanalista e membro da ONG Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual. – “Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano básico. O “exibicionismo” infantil faz parte da fase de exploração dos corpos. Como um brinquedo novo, a criança quer mostrar aos outros, o que já descobriu. Quanto à menina que adora levantar a roupa e mostrar o bumbum, por exemplo, pode estar imitando algo que viu na TV. Em qualquer situação, cabe aos adultos começar a ensinar a noção de intimidade.”.

O trabalho educacional desenvolvido para a Educação Infantil neste assunto é permeado de observação e reflexão. Ao demonstrar e questionar a criança a respeito da conseqüência de constantemente tocar nos olhos, ouvidos, colocar a mão na boca, no nariz, em suma, questioná-la sobre a conseqüência de explorar o corpo e relacionar essa conseqüência ao toque dos órgãos genitais, a faz compreender que tocar demasiadamente ou sem as mãos estarem limpar, pode gerar ardência dos locais tocados. Ressaltar o uso de peças íntimas (calcinhas e cuecas) para proteger o “fazedor de xixi” e o “fazedor de coco”, é primordial para esse aprendizado, bem como também explicar que o momento de banho, é um momento privado. Desta forma, a criança compreenderá a restrição quanto a onde se tocar e não quanto a se tocar.

Dois outros aspectos importantes é saber: até quando os adultos podem ficar nus em frente aos filhos, sendo recomendado que se esta situação é vista com naturalidade, só por volta dos 7 ou 8 anos, as crianças solicitam a própria privacidade e esta deve ser respeitada. Outro aspecto é relacionado ao fato do imprevisto de a criança visualizar o ato sexual, sendo importante conversar a respeito, mesmo que ela não pergunte ou não queria voltar a esse assunto. Lembre-se que se esta situação ocorreu, o descuido foi dos pais e estes devem-se se preparar para que esta conversa não gere culpa no infante, nem jamais culpá-lo. Se ocorrer dificuldade frente a esse assunto, é imprescindível buscar auxílio profissional, prevenindo fantasias desconfortáveis a esse respeito primordial na formação do ser humano.

Assim, evidencia-se algumas conseqüências de beijar os filhos(as) na boca, ressaltando que se o filho for respeitado em seu desenvolvimento, terá uma infância saudável e feliz.


Artigo originalmente escrito e publicado por Rachel Canteli, disponível em: http://rrclinicapsi.com.br/as-consequencias-de-beijar-o-filho-na-boca/

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O QUE É DEMÊNCIA?

Muito se ouve falar acerca de Demência, mas de acordo com as classificações médicas ela não um tipo de doença e sim uma síndrome. E o que é uma síndrome? Síndrome é um grupo de sinais físicos e sintomas que a pessoa apresenta, podendo estar presentes em vários tipos de doenças. Desta forma, uma síndrome a Demência apresenta algumas características principais segundo Ballone (2008). 

  • Prejuízo da memória. Os problemas de memória podem ser desde um simples esquecimento leve até um comprometimento grave que pode levar a pessoa a esquecer quem é.
  • Problemas de comportamento. Normalmente se caracteriza por agitação, insônia, choro fácil, comportamentos inadequados (masturbação compulsiva, por exemplo), perda da inibição social normal (falar palavrões ou o que está pensando sem medo de represálias, por exemplo), alterações de personalidade.
  • Perda das habilidades. Habilidades aprendidas durante a vida são esquecidas, como por exemplo dirigir, cozinhar, usar equipamentos, conhecimentos técnicos, abstratos, etc.

Os sintomas iniciais de Demência variam de cada caso, mas a perda de memória em curto prazo geralmente é o indício mais característico que chama a atenção da família. Ainda assim, nem todos os problemas cognitivos nos idosos por conta da Demência. Uma boa anamnese com um profissional qualificado, médico, psicólogo ou psiquiatra, irá poder determinar se existe a possibilidade do paciente apresentar algum tipo de Demência.


Os sintomas mais comuns nos quadros demenciais são:

Déficit de memória (dificuldade ou incapacidade de lembrar fatos, geralmente mais recentes, relacionados a memória de curtíssimo prazo)

Dificuldades de executar tarefas domésticas

Problema com o vocabulário (dificuldade em encontrar palavras para expressar-se, trocar palavras ou não conseguir nomear objetos)

Desorientação no tempo e espaço (não sabe que dia é, não sabe onde está)

Incapacidade de julgar situações (não tem reação em algumas situações ou age diferente do habitual em situações rotineiras)

Problemas com o raciocínio abstrato (dificuldade ou incapacidade de abstrair, de entender exemplos, analogias, fazer cálculos mentais, etc)

Colocar objetos em lugares equivocados (trocar objetos de lugares, colocando-o por exemplo a chave do carro na geladeira, guardando os frutas no guarda-roupa, etc)

Alterações de humor de comportamento (se zanga com facilidade, fica triste com facilidade, sem estímulos externos)

Alterações de personalidade (a pessoa passa a agir diferente da forma que agiu a vida toda, pode se tornar impulsiva, gritar ou se isolar completamente)

Perda da iniciativa (passividade frente a tudo)

Segundo Ballone:

"A Doença de Alzheimer é uma das formas de demência neurodegenerativas, mas não se pode generalizar todas as demências como sendo Doença de Alzheimer. A Doença de Alzheimer, a demência vascular, a demência com corpos de Lewy e a demência frontotemporal são as quatro causas mais freqüentes de demência."

Então existem várias formas de Demência, cada uma com uma causa diferente e diferente evolução da doença. O ideal é buscar primeiramente um médico para diagnosticar a doença, realizar exames específicos. Existem medicamentos que podem retardar o avanço de alguns tipos de Demência, e a estimulação cerebral pode ser útil, sendo um trabalho a ser realizado por psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Referências:

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

DIA DO PSICÓLOGO- 27/08

Hoje é uma data de muitas conquistas para nossa categoria. São 53 anos de muita luta e ascensão nas mais diversas áreas do conhecimento. Como promotor da saúde e do bem estar de seus pacientes, o psicólogo não está envolvido apenas na clínica, mas também no esporte, no trânsito, nas organizações, nos hospitais, no judiciário, na saúde mental, na saúde coletiva,

na prevenção em saúde, no social, no combate a violência contra crianças, adolescentes e idosos e em instituições e outros locais que não consigo lembrar agora de cabeça. O psicólogo é responsável por promover o bem estar e a (re)adaptação das pessoas no seu processo vital de desenvolvimento. Desta forma nos comprometemos em auxiliar as pessoas a recuperar sua autoestima, a escolher melhor caminhos que vão levar o crescimento pessoal. O psicólogo é aquele guia que acompanha o paciente por uma jornada dolorosa, sempre ao lado dele, mas apenas como guia, pois quem trilha verdadeiramente o caminho é o próprio paciente.

Não somos uma profissão reconhecida, ainda existem muitos estimas e preconceitos, ainda não temos piso salarial e falta a nossa categoria uma organização melhor por direitos trabalhistas, visto que trabalhamos com sofrimento psíquico, o que é muito desgastante por um lado, porque doamos nossa energia para compreender a subjetividade maculada do paciente. Além disso, não somos, de forma alguma, uma categoria unida, infelizmente. Os Psicólogos tendem a ser separatistas por conta das linhas teóricas que seguem, quase como um fanatismo religioso, sendo que estamos tentando construir aqui um saber científico sólido e bem embasado, e como todo saber ele pode estar equivocado, sofrer atualizações e modificações. Outra tristeza são os psicólogos que praticam atividades fora da psicologia colocando-as como práticas cientificas, enganando o paciente e faltando com a ética. 

Apesar de tudo isso eu amo minha profissão. Não tenho reconhecimento, não tenho boas condições de trabalho, tenho o estigma daquele que cuida "dos loucos", mas mesmo assim tudo isso se desfaz como lágrimas na chuva quando um paciente me olha e diz "Eu não sei o que seria da minha vida sem o senhor" ou "Se não fosse por essa terapia eu teria me matado" ou ainda "Eu só consegui ter uma boa relação com minha filha graças as suas orientações". É isso que me move. É isso que me dá combustível para caminhar através das dificuldades como alguém que caminha num museu: admirando diferentes eras, diferentes problemas que acontecem e que não depende apenas de mim resolvê-los. É com muito amor que eu dedico esse dia a todos os pacientes que eu atendi e, se falhei com algum deles em algum momento, peço perdão, porque antes de psicólogo, acima de tudo, sou humano.


Leonardo Viana de Vasconcelos Martins
Psicólogo Clínico- Especialista em Psicodiagnóstico
CRP 11/05089

quarta-feira, 24 de junho de 2015

COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?


Resolvi falar um pouco hoje para vocês sobre a Terapia de Casal, uma vez que é um tema que muitas pessoas gostariam de saber, entender como funciona e quando procurar esse tipo de ajuda. 

A Terapia de Casal é uma modalidade de atendimento em que ambos os parceiros participam, tendo o foco na sua interação e nas dificuldades específicas que eles estão vivenciando. O intuito é auxiliar e fortalecer a relação do casal, sejam namorados, noivos ou casados. Deixo isso claro uma vez que algumas pessoas acreditam que a Terapia de Casal é somente para pessoa casada e isto é um tremendo engano. 



COMO FUNCIONA A TERAPIA DE CASAL?

O psicólogo vai, através da escuta das situações de queixa do casal,  servindo como mediador, interlocutor a respeito dos problemas apresentados pelo casal. Então o casal chega no consultório e cada um relata o que lhe incomoda na relação com o parceiro, O psicólogo ouve um de cada vez, e vai "decodificando" a mensagem, porque muitas vezes os conflitos estão mascarados, encobertos por comportamentos e emoções muitas vezes o próprio casal não percebe. A partir daí, o psicólogo vai identificando cada ponto que está criando conflito e apresentando ao casal, que fica ciente dos comportamentos destrutivos, perniciosos, egoístas, submissos etc que estão prejudicando a relação. A função da terapia de casal é tratar a comunicação entre as partes, identificar o que  contamina este relacionamento, encontrar novas ações e fazer novos contratos. Não será o lugar para cada um tratar de questões que não envolvem o relacionamento. Questões pessoais são tratadas na psicoterapia individual, que pode/ deve ser feita com outro profissional. Questões fora da relação só devem ser tratadas se estão atrapalhando a relação. Exemplo: O marido com ciúmes do chefe da esposa. Neste caso o psicólogo trabalharia o que na relação do casal gera tanto ciúme do chefe, mas sem entrar na questão trabalhista da esposa. 


QUAL A DIFICULDADE DESTE TIPO DE ATENDIMENTO?

A primeira dificuldade que ocorre é convencer o parceiro a buscar ajuda profissional. Em meus anos de experiência o que tenho visto em 90% dos casos é que o homem sempre é mais resistente em aceitar participar desse tipo de terapia. Os homens evitam, por achar que é bobagem ou que podem resolver o problema de sua relação sozinhos, ou ainda pelo ranço da cultura machista no qual foram criados. As mulheres por outro lado estão dispostas a tentar, a buscar uma saída para melhorar o relacionamento que está se tornando insuportável. 

Outra dificuldade é o casal ceder. Durante a terapia o psicólogo dará sugestões, discutirá o comportamento do casal elucidando aquilo que está criando conflito e orientando formas mais saudáveis e autênticas de enfrentar esses problemas, a questão é que nem sempre o casal quer seguir essas orientações. Se o casal não se esforça para agir diferente, para modificar seu comportamento, o conflito persiste e nada muda. Então é importante saber ceder e querer realmente mudar se desejam ter uma relação mais sólida e tranquila.


O QUE LEVA A BUSCAR TERAPIA DE CASAL?

Vou citar alguns dos motivos pelos quais os casais mais buscam a terapia:

  • Ciúmes excessivos (pode ser um caso de ciume patológico, falei sobre isso em outro artigo, para ler clique aqui)
  • Dependência excessiva (falei como isso pode ser prejudicial em outro artigo, basta clicar aqui)
  • Traição
  • Dificuldades na sexualidade
  • Brigas constantes
  • Agressões físicas e/ou verbais
  • Falta de calor na relação
  • Falta de comprometimento na relação
  • Machismo em excesso
  • Indiferença excessiva de um em relação ao outro
  • Distanciamento de uma das partes
  • Insegurança na relação (ilusões criadas pelo medo de perder o outro ou de que o outro está fazendo algo errado)
QUAL O DIFERENCIAL DA TERAPIA DE CASAL? EM QUE ELA PODE AJUDAR A RELAÇÃO?


Existem muitos benefícios na Terapia de Casal que podem ser alcançados. O objetivo mais imediato seria melhorar a comunicação entre o casal, facilitando o processo de fala e escuta de cada um. Além disso a terapia vai proporcionar que você conheça mais seu parceiro e as necessidades dele, assim como você passe a se conhecer melhor e as suas necessidade, que descubram objetivos em comum, para que possam fortalecer o compromisso. Também ajuda a melhorar a vida sexual do casal, superar tabus e dificuldades relacionadas ao sexo. Outro ponto importante é acabar com a competição, visto que muitos casais parecem competir entre si para ver quem é o melhor, quem ganha mais, quem tem mais poder e controle na relação. Facilitar a divisão de responsabilidades dentro da relação é outro benefício d terapia de casal, visto que muitas vezes é como se um dos dois levasse o relacionamento inteiro nas costas. 


Espero que esse artigo tenha sanado algumas dúvidas sobre a Terapia de Casal. Se você estiver procurando esse tipo de atendimento, meu contato está aqui no site. 


Referências:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1994000200006

http://www.psicoterapiacognitiva.com.br/casal.html

BUSTUS, Dalmiro M. Perigo... Amor à vista! Drama e psicodrama de casais. São Paulo, Aleph, 1990.

BENEDITO, Vanda L. Di Yorio. Amor Conjugal e Terapia de Casal: uma leitura arquetípica. São Paulo: Summus, 1996. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Maconha Sintética que Mata Mais Rápido?


Os pais do jovem Connor Eckhardt estão arrasados. Seu único filho morreu de forma inesperada com 19 anos de idade, depois de fumar uma forma sintética de maconha chamada "Spice", algo como "tempero" ou "especiaria". Os pais acreditavam que tinham uma relação íntima com o filho sobre as drogas, aparentemente se enganaram. Eles estão agora num movimento para mostrar ao mundo os perigos das drogas sintéticas vendidas pela internet em algumas lojas especiais como nomes de "Spice", "K-2" e "Scooby Snax". São ilegais e muitas vezes ditas impróprias para o consumo humano.


Os pais de Connor, através do Facebook e do site Do It 4 Connor estão divulgando que essas drogas sintéticas podem causar ataques cardíacos, dano cerebral, alucinações, dependência e matar. Um jovem que utilizou a maconha sintética disse "Seu corpo quer, mesmo sabendo que não devia". Uma mulher disse que "Da última vez que fumei achei que teria um ataque do coração". Uma entrevista com outro usuário ficou comprometida porque ele estava incapaz de responder questões básicas devido ao seu estado. Outro homem, ciente da morte de Connor, disse que a droga era uma "roleta russa". Educadores dizem que os jovens pensam que estão adquirindo uma alternativa mais segura que a maconha, mas estão enganados. 


Essa nova maconha, o Spice e outras similares são folhas trituradas adicionadas de produtos químicos e embaladas em envelopes chamativos. Não se sabe onde é feita ou o que é colocada nela, de acordo com o Departamento Antidrogas de Los Angeles. Os policiais estão investigando esses fatos e disseram "Spice" é fumado como maconha. Porque usar tudo? Aqueles que fizeram disseram que é nova e te deixa no limite, e não aparece nos testes toxicológicos por ser uma substância nova, fator esse que aumenta sua popularidade. Uma pesquisa realizada na faculdade constatou que 8% dos alunos já experimentaram, enquanto que 30%  já experimentaram maconha.  


COMO SPICE AFETA O CÉREBRO?

Os usuários dessa maconha sintética relataram uma sensação similar a produzida pela maconha - alteração de humor, relaxamento, alteração da percepção - em alguns casos os efeitos são mais potentes que aqueles da maconha comum. Existem relatos de ataques de pânico, paranóia e alucinações. 

Até então não há estudos científicos sobre os efeitos do Spice no cérebro humano, mas é sabido que os componentes canabinóides encontrados no Spice agem nos mesmos receptores como THC, o a substância química básica da maconha. Alguns componentes do Spice, entretanto, se ligam mais fortemente a esses receptores que podem levar a um forte e inesperado efeito. Devido a composição química desconhecida de seus componentes pode causar diversos efeitos desconhecidos em seus usuários.


QUAIS OUTROS EFEITOS NO ORGANISMO QUE O SPICE PODE CAUSAR?

Usuários de Spice que foram levados ao centro de Toxicologia relataram sintomas que incluíam taquicardia, vomito, agitação, confusão e alucinações. Spice também pode aumentar a pressão sanguínea e causar uma redução do suprimento de sangue ao coração causando isquemia do miocárdio. Em alguns casos é associada a ataques cardíacos. Usuários contínuos podem experienciar sintomas de dependência e tolerância. 

Não sabemos ainda todo os efeitos que o Spice pode ter na saúde humana ou o quão tóxica ela pode ser, mas existe um consenso em saúde pública que ela pode ser prejudicial por conter resíduos de metais pesados em sua mistura. Sem uma análise mais precisa é difícil determinar se o alarde acerca dessa droga é justificado. Em todo caso, como qualquer tipo de droga, o melhor que se tem a fazer é evitá-la.


FONTES:

http://www.emcdda.europa.eu/attachements.cfm/att_80086_EN_Spice%20Thematic%20paper%20%E2%80%94%20final%20version.pdf

http://www.myfoxchicago.com/story/27176277/fox-11-investigates-synthetic-marijuana

http://www.jornalciencia.com/saude/mente/4402-maconha-sintetica-rapaz-de-19-anos-morre-apos-experimentar-nova-droga-que-esta-virando-moda-entre-os-jovens

http://www.drugabuse.gov/publications/drugfacts/k2spice-synthetic-marijuana

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Garra Rufa (Doctor Fish)- O Trabalho do Psicólogo

Olá a todos que acompanham o blog, hoje vou deixar a disposição de vocês uma animação curtinha de menos de cinco minutos que mostra de forma didática e surreal o que é o trabalho de um psicólogo, como é esse processo da escuta, da mudança, etc. Essa animação foi produzida por artistas da Faculdade de Sheridan. Espero que gostem!




PERGUNTE AO PSI #1

Olá a todos que acompanham meu trabalho, estou aqui para informar que estou inaugurando uma nova seção por aqui onde as pessoas podem enviar suas dúvidas, perguntas, solicitando algum tipo de orientação ou dicas. Mandem as mensagens para o e-mail leonardobozzano@hotmail.com ou deixem nos comentários (as perguntas deixadas nos comentários serão apagadas e replicadas na postagem do blog). Incluam pelo menos um nome (ou pseudônimo) para eu saber a quem me dirigir e escrevam a pergunta/ dúvida / solicitação etc,  da forma mais clara possível. Então sempre que eu atingir um número suficiente de perguntas eu farei uma postagem respondendo a todas. Então, vamos ao que interessa!



Pergunta: Psicólogo infantil deve ter registro especial para trabalhar com crianças?
Milene Reis

Dr. Leonardo: Olá Milene, não é necessário um registro especial para atender crianças, qualquer psicólogo pode fazê-lo. Entretanto, é  aconselhável que o Psicólogo que vai atender crianças tenha cursos na área ou alguma pós-graduação, uma vez que é muito diferente do atendimento com adultos, requerendo um conhecimento mais específico. A sugestão é perguntar sobre a formação do Psicólogo antes de iniciar os atendimentos. Boa sorte!


Pergunta: Como saber se meu namoro tem salvação?
Carol. 

Sou divorciada. Após um tempo, conheci um novo homem, que mora em outra cidade, trabalha viajando. Começamos a namorar, estamos juntos há 7 meses. Mas por motivos de estresse no trabalho dele, estresses meus e muita insegurança e carência da minha parte, ele se aborreceu feio comigo... Disse que eu não podia ser uma pessoa tão insistente. Reconheci o erro e me desculpei. Estou tentando não ser tão invasiva e respeitar o espaço dele. Ainda estamos nos falando, ele diz que está tudo certo, mas eu sinto algo estranho. Não consigo mais ser espontânea, penso mil vezes antes de mandar uma mensagem de boa tarde que seja, me sinto tão pressionada para não ser uma pessoa pesada que é como se eu estivesse o tempo inteiro pisando em ovos. Será que temos possibilidades de reconciliação ou se ele veio me falar que sou uma pessoa insistente e ansiosa é porque não tem mais jeito? E preciso também descobrir se vale a pena para mim, pesar os prós e contras... Ajudem-me por favor...


Dr. Leonardo: Oi Carol, vamos lá. A carência e ansiedade juntas sempre criam dificuldades na interação com os parceiros. Não é fácil trabalhar essas atitudes e sentimentos, sendo aconselhável buscar um psicólogo para lhe ajudar a lidar consigo mesma. Quanto ao seu relacionamento, analise os pontos positivos e negativos dessa relação e veja se vale a pena para você investir nisso ou buscar uma nova relação. Se cuida.



Pergunta: Minha filha de 13 ano,s é muito tímida e não consegue se enturmar na escola
Marina Takemoto

Bom dia, minha filha tem 13 anos e é extremamente tímida. Ela na escola é muito tímida, tem poucas amigas, e não consegue se enturmar com as outras meninas. Acontece que na sua sala tem sempre as meninas que se julgam populares, e a minha filha não gosta muito dessas meninas, acha elas fúteis demais, mas sua única amiga agora está querendo andar com essas ditas "populares" e a deixa de lado. E ela sofre, eu sofro junto, só consigo aconselhar para ela tentar se enturmar mais, mas ela me diz que não consegue. Ela sempre me diz que prefere o mundo virtual do que o mundo real, e passa muitas horas na internet. Nas festas das meninas da escola ela nunca é convidada, uma certa vez uma das meninas entregou convite de seu aniversário para todos na frente dela , e ela não foi convidada, isso deixou ela super magoada e nesse dia eu chorei muito porque sei que ela sofreu muito com essa exclusão. Mas toda vez que tento aconselhá-la a se soltar mais, tentar se enturmar, ela fica muito nervosa comigo, grita, dizendo que já sabe de tudo isso, mas ela não consegue. Bem, não sei mais o que fazer.


Dr. Leonardo: oi Marina, sua filha apresenta um comportamento introvertido, isso está bem claro, faz parte da personalidade dela, seu jeito de funcionar no mundo. Tanto ela quanto você devem aceitar isso. Nem sempre será possível ela se enturmar em todos os grupos, ela deve buscar grupos com o qual sinta afinidade e segurança. Frustrações e decepções na escola fazem parte do crescimento como pessoa. Seja uma mãe presente e amiga e apoie sua filha, ensinando que esse tipo de situação faz parte. Caso sinta necessidade, procure um Psicólogo. Abraço!



Dúvida: Traição pelo facebook
Wenison

Estou em uma situação muito complicada e difícil, por isso gostaria de ouvir a opinião de vocês. É o seguinte: tenho um relacionamento de aproximadamente 3 anos e sou noivo com minha namorada, só que aconteceu algo que nunca imaginei acontecer, sempre amei ela e a tratei com muito respeito, tanto que nunca a trai, só que ela conheceu um cara pela internet e esse cara começou a dar em cima dela e ela começou cair nos papos dele, o negócio chegou tão longe que ela já estava mudando muito comigo e até me evitando e me tratando com frieza, comecei a desconfiar e botei ela contra a parede e ela me confirmou a história e disse que realmente estava envolvida virtualmente com ele, pra piorar ela disse que conheceu um outro lado dela, o lado interesseira, porque segundo ela o cara era muito romântico e de família um pouco rica e tava cursando engenharia na faculdade e etc. Mas ai veio a questão o cara iludiu ela e depois apareceu dizendo pra ela que iria namorar com outra e tudo! Daí agora ela está toda arrependida, sinceramente não sei o que fazer, devo desculpá-la? Ou devo terminar? Estou perdido, não sei o que fazer, ando meio paranóico, não estou confiando nela, apesar dela dizer que se arrependeu e que ela não sabe o que aconteceu com ela, uma parte de mim (emoção) quer perdoar e seguir com ela e outra parte de mim (razão) não quer! Me ajudem gostaria de comentários que me dessem uma luz, fico pensando que nosso amor não pesou em nada para ela?! Estou triste demais.


Dr. Leonardo: A primeira coisa que você deve fazer Wenison é ter consciência do seu sentimento por ela. Apesar da decepção e da insegurança que você está experienciando o que você sente ainda por ela? Acha que essa relação vale a pena? Você deseja estar com ela no momento? Tendo respondido esses questionamentos, converse com ela, uma conversa franca. Pergunte a ela o que ela deseja e espera de um namorado, o que ela sente falta em você, se tem algo em você que ela não gosta. A partir das respostas dela ficará mais claro para que você tome sua decisão. Espero que tenha ajudado.



Dúvida: O problema sou eu?
Renata

Olá, como faço para meu marido me ouvir? Se interessar pela relação? Não conseguimos conversar mais, ele me diz coisas que me magoa direto, não me respeita e para não assumir o próprio erro me ignora, aí fico com raiva, aí ele pega essa minha raiva e começa falar que estou sempre brigando, mas é ele que nos coloca nessa situação, sempre ignorando tudo e vivendo no "seu mundo". Eu o amo muito, mas estou cansada de pedir atenção, beijo... ele só esta bem quando vamos para cama...



Dr. Leonardo: Olá Renata, existe algo na relação de vocês que não está funcionando. A reação do seu marido pode ser devido a muitos fatores, tanto da própria relação de vocês, como de fatores externos (o trabalho, por exemplo). O primeiro passo é o diálogo, é a forma primária de tentar esclarecer e solucionar um conflito. Quando o diálogo não é possível você deve buscar outras estratégias para chamar a atenção dele, de modo que ele perceba que vocês precisam resolver as coisas. Aconselho a buscar apoio psicológico pois assim você poderá detalhar mais essa relação para o profissional que irá te orientar de forma mais precisa. Boa sorte.



Dúvida: Refazer o casamento ou viver uma paixão?
Kelly.

Fui casada por mais de 15 anos com um homem íntegro, muito trabalhador, dedicado à família. Temos duas filhas. Nossa relação sempre foi baseada na responsabilidade, me casei muito jovem. Saíamos mais para comer e viajávamos todo ano. Tínhamos uma vida financeira estável, casa e carro bons, contas pagas em dia. Ele é uma excelente companhia... divertido, gentil, mas não há paixão. Tenho um sentimento por ele de extremo amor, quase fraternal. O sexo seria uma obrigação e acho que ainda sou jovem demais para isso, tenho 35 anos. Eis que um dia me apaixono e aí sim conheci a loucura de uma grande paixão. Ele me deixa atônita, gostamos das mesmas coisas, de atividade física, samba. O sexo é dos deuses! Porém, ele é um homem instável e não muito gentil, se comparado ao primeiro, que sempre me serviu, sempre fui mimada pelo ex-marido e sinto falta dessas gentilezas. Ele não tem responsabilidades... o que mais me preocupa. Trabalha só pensando em beber e sair e odeio bebida. Ele não é agressivo comigo, mesmo quando bebe, apesar da fama de briguento. Por conta dessa paixão desenfreada, me separei, meu ex tentou o suicídio e ele ainda não refez a vida. Não me ajuda financeiramente com as nossas filhas porque está trabalhando para sobreviver, está dependendo da boa vontade das pessoas. Vivo fazendo contas e não entro com pedido de pensão por 
compaixão a ele. Ele disse que eu era o motivo da determinação dele, sem mim não há motivo para nada. Minha paixão foi interrompida recentemente. Hoje me pergunto: o que vale a pena... viver loucamente esse sentimento que me tira até a lucidez ou viver uma vida serena, onde as minhas filhas serão as maiores beneficiadas, além daquele que sempre foi uma pessoa íntegra. Pequeno detalhe... o sexo certamente será um enorme problema nessa perspectiva de retorno, porque experimentei uma relação praticamente impossível de encontrar em outro homem. A razão diz para retomar o casamento, entre outras razões, por ter um parceiro para dividir as responsabilidades com as filhas, que são muitas. Não vejo grandes perspectivas de futuro com a minha paixão daqui 15 anos. Ele quer filhos e eu não mais. Tenho medo porque sei o quanto custa, emocional e financeiramente, criar bem um filho. Mas meu coração o quer, a cada segundo, mesmo sabendo de todos os problemas...Detalhe: eu, meu ex e minha filha nos agredimos por conta da separação. Ele me agrediu e ela saiu aos tapas com ele para me defender. A nossa filha não fala com ele. Me sinto culpada por tudo que aconteceu com ele, porque sempre foi um bom homem e hoje está aos trapos. Qual é o preço que devo pagar? Viver com essa culpa pelo futuro incerto do meu ex, que como ele mesmo diz, acho que a sina dele é trabalhar. Ou me jogar e arcar com as consequências por simplesmente querer amar?


Dr. Leonardo: Olá Kelly, primeiramente é importante ter em mente que a vida é feita de escolhas. Quando uma relação não está de acordo com nossas expectativas é importante estar ciente disso e procurar discutir com o parceiro sobre as necessidades de cada um e como chegar a um consenso. O que ocorre é que muitas vezes as pessoas buscam uma válvula de escape, no seu caso uma relação extraconjugal, que desenvolve uma série de problemas (consequências diretas e indiretas da sua escolha). São essas escolhas que constroem sua vida, ou podem destruí-la, por isso é preciso estar bem ciente delas. Você deve analisar o que é melhor para você, o que você realmente deseja, quais suas necessidades. Só reconhecendo esses fatores fica mais claro escolher. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Limites do Atendimento em Psicologia: Psicólogo Não Atende Amigos e Parentes?


O objetivo desse texto é falar um pouco de um dos limites do atendimento psicológico, começando por uma dúvida constante da maioria das pessoas que acabam tendo algum laço de amizade ou parentesco com um profissional psicólogo e o porque do psicólogo não poder realizar atendimentos com essas pessoas.

A psicologia, assim como algumas outras ciências, tem certos limites éticos. Não há nenhuma resolução do Código de Ética que diga diretamente que o psicólogo não pode atender parentes ou familiares, entretanto ele fala no Artigo 2o item J, que é vedado ao psicólogo:

"Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha vínculo com o atendido, relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado".


Significa dizer que não há uma proibição, mas o Código reconhece que essas relações podem interferir no serviço prestado. No meu ponto de vista, deixando bem claro que é uma opinião profissional minha mas compartilhada com a grande maioria dos meus colegas de profissão, é muito complicado atender parentes e amigos. O trabalho no profissional de Psicologia é pautado na escuta e no sigilo profissional, tanto que o Art. 9º discorre:

"É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional".

As pessoas relatam seus segredos mais íntimos para o psicólogo, seus medos, seus problemas, suas
falhas de caráter e deve garantir que essas informações não sejam divulgadas a não ser sob a hipótese de por em risco a integridade do paciente ou de terceiros. Então imagine se, tendo um laço afetivo com o psicólogo, as pessoas teriam coragem de contar tudo, relatando todo o problema. Alguns pacientes que nunca me viram tem receio e demoram a confiar seus verdadeiros problemas. Certas pessoas podem argumentar que o fato de ser uma pessoa conhecida pode facilitar esse diálogo, mas imagine que o psicólogo precisa fazer perguntas muito íntimas e em certos momentos fazer intervenções dizendo coisas que poderia abalar o laço de amizade/parentesco. 

Como o psicólogo vai dizer o que é necessário se tiver medo de que o paciente, que é seu amigo/parente,  fique magoado com suas palavras? Como esse mesmo paciente vai ouvir e seguir as orientações desse psicólogo se isso envolve uma terceira pessoa que ambos conhecem? Imagine a situação, um irmão falando do outro e o psicólogo conhece ambos, um é atendido o outro não. Pode haver uma discórdia só pelo fato de um deles abordar o psicologo e querer saber o que é tratado na terapia. Existem inúmeras situações que podem gerar sentimentos ambíguos, confundir, misturar ideias.

Quanto mais neutro, melhor o trabalho do psicólogo. Quando há outros tipos de vínculos que não sejam os terapêuticos isso põe em risco a confiabilidade do processo, uma vez que mesmo embasado por técnicas cientificas o psicólogo é um ser humano, dotado de sentimentos, vontades, desejos e atender alguém com vínculos de amizade ou parentesco pode afetar seu julgamento, desvirtuando assim o sentido da terapia. Espero ter sido claro.

Dúvidas e sugestões: leonardobozzano@hotmail.com

Código de Ética do Psicólogo: http://www.crpsp.org.br/portal/orientacao/codigo/fr_codigo_etica_new.aspx#1

Site do Conselho Regional de Psicologia do Ceará/Piauí/Maranhão: http://www.crp11.org.br/

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Psicologia, Cinema e Pipoca #8: Melhor É Impossível

Olá, depois de um tempo sem indicar filmes aqui, venho apresentar essa pérola do final dos anos 90. Trata-se de um filme bem interessante cujo protagonista tem TOC e uma vez que falamos sobre isso no último artigo achei pertinente indicá-lo. O filme além de ter um roteiro bacana, consegue ilustrar bem como se manifesta o TOC em algumas pessoas.


MELHOR É IMPOSSÍVEL

Título Original: As Good as it Gets
Ano: 1998
Atores principais: Jack Nicholson, Helen Hunt, Greg Kinnear
Direção: James L. Brooks
Gênero: romance, comédia dramática


Sinopse: Em Nova York um escritor grosseiro e sarcástico (Jack Nicholson) tem como alvos principais um artista gay (Greg Kinnear), seu vizinho, e uma garçonete (Helen Hunt) que o atende diariamente e se desdobra para cuidar do filho que tem asma crônica. O destino vai fazer com que eles fiquem muito mais próximos do que poderiam imaginar.







Trailer:

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Entendendo o TOC- Transtorno Obsessivo-Compulsivo


No nosso texto de hoje iremos tentar explicar de maneira mais simples o que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo- TOC, e como ele se manifesta. Como o próprio nome indica, é uma psicopatologia em que o sujeito apresenta obsessões e compulsões que se repetem, causam sofrimento e dificultam a realização de atividades da vida cotidiana. Muitos desses sintomas são confundidos / reconhecidos por pessoas leigas como "manias", mas muito incomuns e irracionais. Talvez você já tenha ouvido falar sobre TOC ou visto alguma reportagem na televisão, então você deve estar imaginando algumas dessas "manias" como lavar as mãos, manter tudo sempre limpo, organização excessiva, etc. Isso tudo é TOC? Depende.


Ballone nos apresenta uma definição clara do que são obsessões e compulsões:

Obsessões são pensamentos ou idéias (p. ex. dúvidas), impulsos, imagens, cenas, enfim, são atitudes mentais que invadem a consciência de forma involuntária, repetitiva, persistente e normalmente absurdas. Essas idéias obsessivas são ou não seguidas de rituais destinados a neutralizá-los, as compulsões. Os pesamentos obsessivos são experimentados como intrusivos, inapropriados ou estranhos pelo próprio paciente, o que acaba causando mais ansiedade e desconforto emocional. A pessoa tenta resistir a esses pensamentos, ignorá-los ou suprimi-los com ações ou com outros pensamentos, mas sempre, o próprio paciente reconhece tudo isso como produto de sua mente e não como se fossem originados de fora (como ocorre na esquizofrenia). 

Compulsões são comportamentos repetitivos (p.ex.lavar as mãos, fazer verificações, fechar portas 4 vezes), ou atos mentais (rezar,contar, repetir palavras ou frases) que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras (auto impostas) que devem ser seguidas rigidamente. Os comportamentos ou atitudes mentais compulsivas são destinadas a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, ou prevenir alguma situação ou evento temidos. Como dissemos, o próprio paciente percebe que essas atitudes não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou que são claramente excessivas, mas essa crítica não é suficiente para inibir a compulsão.

Então, simplificando em vias gerais, o TOC são pensamentos que a pessoa não tem controle e se repetem em sua mente, vindo insistentemente e causando angústia, enquanto que as compulsões são atos em que a pessoa repete comportamentos, mentalmente ou fisicamente, para aliviar os pensamentos obsessivos. 


Os pensamentos obsessivos são em sua maioria irracionais e sem lógica compatível com a realidade, então um exemplo disso é uma pessoa cujo pensamento diz para ela rezar cinco vezes sempre que ver alguém com uma camisa azul senão alguém da sua família vai morrer. Conheci uma pessoa com TOC que ela tinha que rezar sempre que ia ao banheiro. Existem uma infinidade de exemplos de sintomas do TOC, mas quais são os tipos mais comuns? É o que veremos a seguir.

Tipos de Obsessões e Compulsões:
(Lembrando que a obsessão é o pensamento e compulsão é o ato)




-Preocupação/Medo de Contaminação: medo de se contaminar com germes, bactérias, doenças, o que leva a pessoa a limpar tudo excessivamente, evitar tocar nas coisas que ela considera sujas/contaminadas, proteção exagerada como usar luvas e máscara o tempo todo ou boa parte do tempo, evitar tocar em outras pessoas ou objetos.


-Pensamentos repetitivos de dúvidas e de perfeição extrema: leva a pessoa a verificar as coisas detalhadamente, várias vezes seguidas, dificulta que a pessoa termine qualquer coisa que tenha para fazer, porque mesmo terminada a tarefa ela confere minunciosamente tudo várias vezes.

-Preocupação com simetria, exatidão, ordem ou alinhamento: também muito comum, a pessoa
organiza tudo ao seu redor com extrema rigidez, qualquer coisa desalinhada (um par de chinelos tortos, quadros tortos, sequencias desiguais) levam a pessoa a ficar extremamente incomodada e um desejo incontrolável de organizar tudo.






-Pensamentos ou impulsos de machucar, ferir ou agredir: Esse é pouco conhecido, mas faz parte dos sintomas do TOC. Diz respeito a fugir de objetos que possam machucar os outros, como facas, armas, desculpar-se excessivamente com os outros mesmo que nada tenha ocorrido.

-Pensamentos ruins, indesejáveis ou negativos sobre sexo: evita manifestações de carinho e afeto, retraimento social excessivo por medo de perder o controle, orações exageradas, evita relacionamentos e atividade sexual ou as faz mas com um sentimento grande de culpa.

-Preocupação em guardar, poupar, armazenas objetos sem necessidade: Esse ganhou até um Acumuladores, pois é isso que as pessoas que não se tratam se tornam. Passam a guardar coisas inúteis, não conseguem jogar objetos fora, descartar lixo, o que leva a entupir o espaço onde vive de tranqueiras. Lembro de mais de um caso onde as pessoas morreram soterradas no próprio lixo que acumularam. Clique aqui para ler a reportagem.




-Preocupação com doenças ou com o corpo: medo de ficar doente, consultas frequentes ao médico, mesmo sabendo que não está doente não confia no diagnóstico médico nem em exames.


-Preocupação números, cores, datas, horários: tendem a ter atitudes bizarras, não usam determinada cor (Roberto Carlos, é você?), acham que as cor podem influenciar a realidade, evitam ou se apegam a determinados números e datas, evitam ou se apegam a determinados horários.


-Pensamentos sobre culpa, pecado, blasfêmias, honestidade/desonestidade: Compulsões para rezar, repetir palavras, frases, tentar afastar pensamentos indesejáveis e negativos.



Como podemos ver existe uma ampla gama de sintomas do TOC, em geral o portador apresente algum tipo dos descritos acima ou uma pequena variação de um ou dois tipos. Alguns pacientes podem ainda apresentar sintomas pontuais de um dos transtornos sem caracterizar o TOC em si, o que chamamos de espectro do TOC, ou seja, ele possui um sintoma que faz parte de alguma compulsão ou obsessão, mas não o bastante para fechar o diagnóstico de TOC.

Não se sabe o que causa o TOC, embora alguns fatores neurobiológicos (incluindo os genéticos), fatores de natureza psicológica e fatores ambientais atuam na origem, agravamento e manutenção dos sintomas do TOC. Sabe-se que os portadores de TOC têm várias características biológicas distintas, que produzem um funcionamento cerebral também distinto. São pessoas mais suscetíveis aos medos, experimentam excesso de responsabilidade, interpretam riscos de forma exagerada e lidam com suas angústias e temores tentando neutralizá-los através de realizações de rituais ou evitações.


O TOC deve ser diagnosticado por um profissional Psiquiatra ou Psicólogo, e seu tratamento deve ser iniciado o mais breve possível. O tratamento desse transtorno é feito com antidepressivos, e é indispensável o uso de remédios, uma vez que os pensamentos obsessivos não podem ser evitados apenas com aconselhamento e terapia. É um transtorno extremamente desagradável, não há uma cura definitiva, mas há tratamento e alívio dos sintomas.



Referências: 

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=80

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=81